Chegar ao fundo do poço não é ruim. Porque de lá só há uma saída: para cima!

Já comecei esse texto dando spoiler, pois é!

Esse texto se trata de resiliência.

Resiliência é a capacidade que nós temos de mudar de forma para suportar o que está acontecendo num momento difícil e depois reassumir de um jeito maduro a aventura de ser quem somos.

Não sei como você lida com a ela e também não tenho a pretensão em te dizer como deve tratá-la, mas gostaria de dividir minha experiência. Quem sabe ajuda!

Há alguns dias dei um vacilo e consegui queimar as pontas dos meus quatro dedos da mão direita. Tinha colocado a panela pra esquentar, ia fritar uns bifes, a comida já estava toda pronta, era um almoço de domingo pra minha família, só faltava o bendito bife acebolado. De repente, fui trocar as panelas de lugar.

E aiiiiiiiiiiiiiii, que dor!!!!!!!!!!!

Por um momento senti que a vida me parou para ensinar que mesmo que as circunstâncias não sejam adequadas, a situação não seja favorável e que tudo pareça estar desandando ela não vai parar até as coisas melhorarem e que seja o que você estiver fazendo vai precisar continuar apesar da dor que esteja sentindo.

Com os dedos queimados descobri que a resiliência é apesar de…

Apesar de estar doendo;

Apesar de não ser confortável;

Apesar de eu não estar preparada;

Apesar de eu não querer fazer;

Apesar de não estar disponível;

Apesar do choro;

Apesar da aflição…

Me lembro de uma música do Lenine que dizia: “mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, mesmo quando tudo pede um pouco mais de alma, a vida não pará…”

E ela não para justamente pra gente descobrir a força que não sabemos que carregamos.

Depois que a dor da queimadura passou, formou-se umas bolhas que deram lugar a uma casca dura nas pontas dos dedos, depois essa casca trincou e descamou. Percebi que esses dedos ficaram mais resistentes do que os da outra mão. E apesar dos meus dedos voltarem a ser lisos estão rijos.

Sem querer encostei dois deles de novo noutra panela quente… AFF… mas nem doeu, do jeito que foi, deveria ter doído. Cheguei a assustar quando lembrei, vai queimar… mas não, eles já estão calejados…

Senti uma estranha alegria porque tive um inshigt, geralmente quando algo agressivo acontece com a gente, a dor não nos permite pensar em nenhuma melhora ou possibilidade de solução, mas depois do processo de cicatrização, da queda, do luto, da fossa, da decepção, simplesmente como mágica uma casca se forma ao redor da gente. Dando lugar a valentia para enfrentar o que tiver que vir.

Percebi que são desses momentos que brota a coragem, a ousadia, a intrepidez.

Quando chegamos ao fundo do poço podemos ter dois comportamentos, mas o caminho para a saída é um só: pra cima (já disse isso eu sei…)! Da mesma maneira que o caminho dos dedos queimados foi o da restauração, da restituição.

Com isso quero te dizer que não importa por qual tempo ou estação da vida você esteja. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem logo de manhã. Tenha um pouco de fé!

Durante as vezes que estive no fundo dos poços da minha vida, uma coisa que aprendi foi a me despir diante da minha dor e aceitá-la do jeito que ela vinha só assim reunia forças pra sair de lá.

A imagem que dá origem a este texto faz todo sentido pra mim, porque quantas vezes eu tive que me desnudar, entrar em contato com a minha própria dor para escalar, abrir mão do peso e transformá-lo em um meio para escapar do buraco, precisei me reinventar diante da queda e se eu consegui, você também pode.

Também tem a opção de sentar e chorar, de se fazer de coitada e ficar se perguntando porque? Mas não vai há lugar nenhum.

Talvez você esteja pensando, mas Bárbara você não sabe o que estou passando ou sentindo, não importa, vai passar, você vai superar e se reerguer.

Percebi que as dificuldades da vida não vêm para nos matar e sim para fortalecer.

Como dizia minha avó Maria d’ Ajuda (sugestivo o nome dela): o que não mata, engorda.

Fique bem.

Seja barbara!  

 

Texto escrito por Bárbara Georgiane. Bárbara tem a identidade do Pai, é singular, mãe, esposa e amante da família. “Agrada-te do Senhor que Ele satisfará o desejos do seu coração” Salmos 37:4

 

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