Pedimos pra Rita, uma mulher que admiramos muito, escrever um texto para o blog.

Ela nos presenteou com esse textão e veio a dúvida: “qual título inserir nesse conteúdo foda?”

Foram tantas coisas abordadas aqui, que qualquer título que pensamos iria limitar o que ela quis passar! 

Portanto, vamos deixar o texto falar por si só :)

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Algumas semanas antes do lançamento deste blog, a me pediu para escrever algo sobre ser “mulher, diretora, lésbica” e me explicou o que seria este espaço, com uma frase simples e linda: “a gente quer ter um blog que a gente gostaria de ler, sobre vida, profissão, essas coisas”.

Então, comecei a escrever um texto, mas tudo mudou quando vi a cara do blog. Vou explicar melhor. Mas antes:

Prazer, eu sou a Rita, tenho 32 anos e sou de Belo Horizonte.

🙂

O que é este post?

Eu não queria escrever um texto cheio de dicas e conselhos e hacks sobre como é possível se dar bem no mundo corporativo sendo mulher e LGBT. Isso por alguns motivos:

  1. Se dar bem no mundo é um conceito subjetivo, e eu não sou lá uma expert nem no meu próprio conceito!
  2. Eu sou da famigerada escola de vida conhecida como “DEIXA OS CARA”, então para mim é às vezes difícil dar conselhos e dicas sobre como fazer algo, simplesmente porque prefiro deixar os cara fazer do jeito deles.

Afinal, na maioria das vezes não importa o jeito de fazer, e sim o resultado. Sabe aquelas ordens/regras disfarçadas de conselho? Então, odeio.

Não gosto especialmente daqueles conselhos ‘gerais’, não contextualizados, porque, apesar de já ter recebido grandes e bons conselhos em livros e vídeos por aí, minha dificuldade em estar na outra ponta é essa: odeio emitir opiniões não solicitadas e/ou cagar regras sem querer. E os conselhos, algumas vezes, lá no fundo, você vai ver e não eram conselhos, eram cilada. Não gostaria que este post fosse assim.

E por isso foi ótimo ver este blog lançado antes de acabar de escrever o texto. Porque eu entendi: não é sobre mostrar a melhor ou mais correta forma de fazer algo, é sobre compartilhar.

E se tem uma coisa que eu amo exatamente na mesma proporção em que eu odeio dar conselhos, essa coisa é conversar. Então é isso o que eu vou tentar fazer aqui: conversar com vocês, falando à toa sobre nada, ou tudo.

Minha vida mudou bastante de uns anos para cá e passar por grandes mudanças é uma ótima forma de aprender muito.

Para quem não me conhece, só para contextualizar: até quatro anos atrás eu era revisora de textos e atualmente sou head de um departamento de produção de conteúdo que tem, hoje, 90 pessoas e a vontade de ser o melhor do mundo.

Passar de uma carreira técnica, em que na maioria das vezes se trabalha isoladamente, a ser chefe de tanta gente em uma empresa de equipes altamente engajadas, tudo isso em menos de 4 anos, foi uma grande mudança e me trouxe muitos ensinamentos.

No início, achei que apenas minha vida profissional estava mudando. Hoje entendo que é tudo uma coisa só — e ainda bem.

Minha vida pessoal moldou a profissional que eu sou hoje, e o desenvolvimento dessa profissional me fez uma pessoa muito, mas muito melhor.

Sobre descobrir, aceitar e abraçar quem você é…

Como boa parte da comunidade LGBT, passei algum tempo da minha vida tentando não ser o que eu era, depois odiando o que eu era, aceitando o que eu era e, enfim, amando o que eu sou.

Todo mundo é diferente de todo mundo, e descobrir-se assim, diferente, pode ser difícil e muito comumente gasta bastante da sua energia até que você entende: é isso que eu sou. Não vai passar. Não vai mudar.

A parte boa é que it gets better demais da conta: aprender a me amar como eu sou me ensinou muito mais do que me amar como eu sou. Me ensinou, antes de tudo, o que eu sou, e isso faz toda a diferença na vida da gente.

No meu caso, ser lésbica é só uma parte do tudo que me compõe: conhecer essas partes é o que te faz conviver bem com você mesma e principalmente com os outros.

Para explicar melhor, uma historinha: em 2015, eu estava em dúvida se devia casar ou comprar uma bicicleta fazer uma pós, para aprimorar meus conhecimentos de negócios, já que eu estava mudando meu foco profissional e precisava aprender mais sobre matemática e excel gestão.

Como se não bastasse essa dúvida, um grande amigo acrescentou mais uma variável à questão: “que pós o quê, você vai ser cada vez mais chefe, e, para ser uma boa chefe, você precisa se conhecer: pega o dinheiro que você vai pagar na pós e faz terapia”.

Eu segui o conselho dele (valeu, Fafá!). Eventualmente, eu também fiz a pós, mas posso afirmar com toda certeza que o que mais me ajudou a ser melhor foi o autoconhecimento que consegui com as sessões na psicóloga: aprender como eu tendo a agir e reagir, saber aceitar ou conseguir mudar o que eu não deveria ou queria aceitar em mim mesma, e usar este conhecimento sobre mim mesma para me aprimorar como líder, mas principalmente como pessoa.

Eu sei que a psicologia foi só a ferramenta que eu usei, você pode fazer isso tudo de outra forma.

O importante é se conhecer, aceitar e abraçar para, no fim das contas, ser melhor do que já é.

…para ser o que quiser!

Tem gente que desde sempre tem um objetivo bem específico na vida. Eu não era uma dessas pessoas. Quando entrei na faculdade de Letras, em que me formei, não sabia exatamente o que eu faria profissionalmente mais tarde. Mas, mesmo antes da faculdade, e também depois dela, o que eu sempre tentei foi ser boa no que eu estivesse fazendo.

E isso foi o que me permitiu, enfim, ter objetivos.

Saber quais são suas dificuldades e habilidades já te dá uma vantagem na vida, simplesmente porque you got 99 problems but não saber do que é capaz ain’t one.

Te ajuda também a tomar a responsabilidade pela sua vida e encarar o mundo como quem está no controle.

Isso parece retórica e papo fiado, mas saber lidar com tudo de ruim que acontece como coisas que acontecem e não como maldições feitas especificamente para a gente já é meio caminho andado na hora das frustrações e reveses naturais da vida. E essa liberdade vem de se entender e saber como você se relaciona com o mundo.

Então bora perder o medo de ser quem a gente é, e vamos juntas!

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