O conceito de realidade é uma coisa muito louca.

O seu conceito de realidade é diferente do meu, graças às experiências diferentes que eu e você tivemos, e às pessoas que estão ao nosso redor.

Mas o que isso tem a ver com auto-estima?

Bem, durante toda a minha vida o processo de me amar mais acontecia mais ou menos assim:

(Sou uma excelente ilustradora, como vocês podem perceber)

Eu vivia na esperança de que um dia eu iria parar (e ficar) na fase do “vou repetir que me amo todos os dias” e a partir daí estaria tudo bem – mas isso nunca aconteceu.

O que essa jornada tem de errado é que ela o tempo todo se trata de uma ideia de que o amor próprio se é trabalhado apenas na nossa cabeça.

Em repetir na nossa cabeça que precisamos nos amar. Que somos boas o suficiente.

Isso é a base de tudo, não me entendam mal. Mas nessa jornada, desconsideramos o ambiente que nos cerca.

E acontece que, na minha jornada de amor próprio, o reconhecimento e a renovação do ambiente foram um dos pontos que mais fizeram diferença – e é sobre isso que vim falar hoje.

Há não tanto tempo, eu costumava me cercar de amigas e amigos que falavam excessivamente sobre a vida dos outros, que se preocupavam em excesso com aparência e com assuntos superficiais.

Isso era tão natural para mim, que eu nem percebia que poderia ser diferente (e que eu deveria me esforçar para isso caso quisesse melhorar minha relação comigo mesma).

Minha vida era mais ou menos assim:


(Cada dia melhor nas ilustrações)

Em algum lugar, nessa realidade, você consegue enxergar espaço para realmente ser quem se é (sem julgamentos e sem querer apenas se adaptar ao ambiente)?

A proporção que eu atribuía a essas coisas faziam que elas fossem o centro da minha vida. Se eu reparava e achava que a calça de fulana ficava horrível no corpo dela, eu não tinha coragem de usar as roupas que eu gostava porque outra pessoa pensaria que está horrível também.

Se para aproveitar o verão era necessário a academia e o detox, não fazê-los (ou fazê-los miseravelmente) significava uma derrota tão grande que toda vez que eu cogitava ficar de biquíni, eu me lembrava sobre a vergonha que era ter o corpo que eu tenho.

Se um cara chegar na balada para mim e minhas amigas era algo óbvio e necessário, não ter ninguém conversando comigo era confirmação do quão horrorosa eu estava e como eu não tinha nada a oferecer.

Viver em um contexto com pessoas que só se importam com esse tipo de coisa faz ser difícil demais “remar contra a maré” e realmente ter espaço para se conhecer e se amar.

O superficial é alimentado em nós, e o alimentamos nas outras pessoas também.

Pois bem. Comecei a dosar minhas amizades que eram tão tóxicas para mim quanto eu para elas, e comecei a buscar por pessoas com outro tipo de energia.

Prestar atenção no meu ambiente e nas pessoas que estão nele passou ser tão prioritário para mim quanto todo o trabalho mental sobre quem eu sou.

Hoje em dia, estar perto das pessoas que me cercam faz com que não exista espaço para eu me preocupar em excesso com aparência, mas sim e me conhecer melhor.

Estar perto dessas pessoas faz com que eu me sinta confortável em dividir sentimentos, momentos e ideias que mostram o meu lado mais vulnerável possível.

Essas pessoas me passam a segurança de que ninguém me ama pela minha aparência, e muito menos deixaria de me amar por isso. A aparência, no fim das contas, não é tão importante assim.

Então se você precisa se amar mais, mas não sabe como, tenta começar por aí!

Você precisa olhar para dentro o tempo inteiro, mas não se esqueça de olhar para sua volta.

Crie a sua realidade de acordo com o tipo de sentimento que você quer para você.

Não se esqueça de deixar ir quando necessário e de renovar suas amizades para quem te puxa para frente e para cima – e faça o mesmo por eles. 🙂

 

 

Fê Rodrigues

Mineira. Sempre animada para a próxima refeição. Quando não estou falando sobre música e Kendrick Lamar, gosto de escrever sobre momentos e sentimentos.