Descobri que tinha o vício de agradar a todos a minha volta por não acreditar que eu pudesse ser suficiente. Eu sentia necessidade de fazer alguma coisa para que gostassem de mim.

Quando essas lindas do Novas Blogueiras me convidaram para escrever para essa proposta prodigiosa eu simplesmente fiquei emocionada com esse privilégio.

Vou confessar que tinha um sonho pessoal de escrever para um blog com essa pegada, com essa cultura, com esses valores.

Me identifiquei pessoalmente com a realidade que cada uma dessas mulheres maravilhas expuseram aqui. E achei simplesmente incrível, porque cada texto me fez crescer e me completou na medida que eu precisava.

Entre tantas vivências que sobrevivi, vou dividir uma das grandes vitórias no campo das minhas emoções.

Eu sempre gostei do fato de não me prender a nada, de não haver nada que me fizesse dependente, tipo um vício, como fumar, beber, comer, sair, ver séries… enfim. Sempre gostei de ser livre, até descobrir que eu mantinha sim um vício!

Como assim? Descobri que tinha o vício de agradar a todos a minha volta por não acreditar que eu pudesse ser suficiente. Eu sentia necessidade de fazer alguma coisa para que gostassem de mim.

Que choque!

Descobri isso um dia sozinha em casa, na minha cozinha, fazendo um bolo para levar em uma visita que ia fazer.

Tinha tentado visitar minha amiga várias vezes porque eu só queria desfrutar da presença dela, jogar conversa fora, ouvi-la (descobri que sou boa ouvinte). Era um momento apenas para estarmos juntas, mas esse simples desejo acabou virou uma maratona, porque não tive coragem de chegar na casa dela de mãos abanando.

Na minha cabeça, a minha presença era pobre demais e eu tinha que complementar com alguma coisa.

No meu caso, eu fazia o que eu podia e gostava: bolos. Eu gostava do processo, mas se tornava um martírio: toda visita que eu fazia tinha que levar um bolo e não podia ser comprado, tinha que ser feito por mim, porque achava que tinha mais valor.

Eu nunca tentei “comprar” ninguém dessa maneira, eu acreditava piamente que as pessoas me faziam um favor em me receber em suas casas, em me escutar, em me dar atenção. Achava que eu tinha que ser útil porque era pouco demais eu ser eu apenas.

Eu não acreditava em quando alguém gostava de mim sem eu ter feito alguma coisa para essa pessoa antes, não fazia sentido eu receber uma gentileza de quem quer que fosse de “graça”.

Com tudo isso, eu identifiquei uma dificuldade gigante de “receber”, porque o lema da minha vida sempre foi “dar” e não tem nada de errado com isso, desde que seja com a motivação certa.

Eu dava tudo de mim para as pessoas que eu queria manter por perto, pessoas que eu enxergava potencial para investir nelas, pessoas que poderiam investir em mim.

Até mesmo o meu marido precisou me convencer inúmeras vezes do amor dele por mim antes de eu aceitar o pedido de casamento.

Vivi a maior parte da minha vida assim e não consegui me lembrar quando esse vício começou, no entanto investigando o meu interior percebi que o motivo foi a rejeição (que é um papo sério para outra hora, quem sabe).

Como fiquei dolorida no corpo quando a minha alma ficou descoberta sem proteção! A partir daí, comecei a descortinar todas as minhas motivações para saber se eram saudáveis ou o fruto desse vício de agradar todo mundo.

Entendi que esse vício faz você perder coisas valiosas que não podiam sair de você de jeito nenhum.

Coisas como:

  • A identidade: de alguma maneira você tenta se encaixar no que as pessoas esperam de você. Você acaba se sujeitando à expectativa de cada pessoa, até que um dia você acorda e nem sabe mais quem é!
  • A alegria: Momentos que deveriam te trazer bem-estar, alívio e descontração, acabam virando um tomento.A cada vez você precisa se reinventar para encantar a pessoa de uma maneira diferente (até agora que contei já fiz 43 sabores de bolos diferentes! Quanta energia! Não pelos bolos que tive que confeitar, mas pelo motivo errado que foram concebidos).
  • A força: esse vício nos cansa emocionalmente e desgasta nossa relação com nós mesmos.
  • A espontaneidade: como o foco é agradar, ficamos engessados e tudo acaba sendo artificial.
  • A paz: o processo de se relacionar vira um tormento, porque está sempre condicionado a alguma ação para alcançar uma reação.

Bom, essa foi a minha luta durante muitos anos que felizmente a venci e para isso precisei dar nome a ela, precisei identificá-la, entendê-la e aceitar que ela tornava a minha vida difícil e desafiadora.

Entendi que só conseguimos vencer o que quer que seja quando isso é claro pra gente, só vencemos batalhas que conhecemos.

Isso é com a vida!

Foi dureza aceitar que eu tinha esse problema, mas precisei viver essa dor para sarar. A cura só veio quando a doença foi identificada e exposta aos meus olhos.

E para isso acontecer eu precisei de ser mansa (que quer dizer poder sobre controle, precisei me domar), humilde (sem orgulho, sem pretensões) e generosa para me aceitar.

Sabendo exatamente onde eu deveria concentrar minhas forças foi muito mais fácil e leve romper dia a dia com esse vício.

Foi um tempo penoso, mas você consegue acreditar que consegui me sentir grata pelo processo de restauração de uma parte de mim?

Minha primeira reação depois do choque e de identificar o que era aquele inimigo desconhecido fiquei agradecida.

De repente uma alegria tomou conta do meu coração, porque de alguma maneira eu sentia que estava sendo salva daquele perigo iminente que a todo momento poderia me destruir. Mas agora não tem poder e nem domínio sobre mim.

Nesses últimos anos precisei ser corajosa e paciente para reconstruir meus relacionamentos mais importantes que tinham sido prejudicados na “coisificação” de mim mesma.

O resultado nessa caminhada foi que muita gente foi embora da minha vida, provando que gostava mais de mim como “ferramenta” do que como “ser”, no início fiquei muito triste, mas por pouco tempo pois, as pessoas que decidiram ficar me aceitam e me amam pelo o que eu sou, mesmo quando eu não posso servi-las. Elas fazem a dor valer a pena.

Quando me apresento aos meus novos relacionamentos é totalmente desprendida de qualquer expectativa, continuo gostando mais de dar do que de receber, mas pelo fato de me importar de verdade com eles.

Não parei de fazer meus bolos, mas isso agora é um hobby. Estou amando me servir.

Descobri o prazer de assar um bolo, arrumar a mesa e me deleitar num cuidado comigo mesmo. Como é prazeroso desfrutar da minha companhia sem pressão, sem cobrança, sem sofrimento.

Hoje o desejo do meu coração é desmascarar esses sentimentos que nos roubam e torná-los conhecidos para que ninguém mais se sinta mal sem saber o motivo e por razões erradas.

Que vamos nos sentir mal por uma coisa ou outra, ou por todas as coisas não podemos evitar, mas podemos evitar que estejamos tateando no escuro.

Então isso foi um pouquinho de mim, espero que minha experiência e minhas descobertas lhe ajudem a descortinar sua consciência.

Se já passou por isso eu acabou de descobrir, saiba que pode contar comigo nessa luta.

Um abraço,

Bárbara Georgiane

Bárbara Georgiane. Bárbara tem a identidade do Pai, é singular, mãe, esposa e amante da família. “Agrada-te do Senhor que Ele satisfará o desejos do seu coração” Salmos 37:4

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