…ou um sentimento.

Eu nunca fui muito de acreditar no amor romântico. Talvez por conta da minha pouca vivência, ou pela minha vivência muito intensa nas decepções amorosas que já sofri. Talvez por não ter ainda encontrado “o cara”, ou por achar que existem “caras demais” para ter apenas um só especial.

Já discuti com muita gente por causa disso e deixei de ouvir muitos outros pelo mesmo motivo. Muito se fala do amor de verdade, mas o que é o amor de verdade, afinal?

Ainda tenho minhas teorias e crenças, mas hoje, com a morte do meu avô Moreira, finalmente posso dizer que acredito no amor.

Poderia passar um ou mais dias falando sobre meu avô aqui, sobre as histórias que ele contava ou as lições que ele me ensinou em seu tempo de vida. Mas uma das maiores ele me ensinou hoje, em sua ausência.

Durante todo esse tempo em que tive o prazer de conviver com meus avós, passou despercebido para mim o que esses 60+ anos juntos dos dois como casal representaram.

Entendi que o amor não é um sentimento tão abstrato assim, ele se forma a partir de muitas práticas  e o companheirismo talvez seja uma das principais de todo esse mix.

Hoje, eu acredito no amor não só porque vejo e sinto a dor da minha avó com a partida do meu avô, ou pela forma nostálgica como ela vai olhar para as fotos dele daqui para frente.

Não acredito no amor por esses 60+ anos que eles passaram juntos, mas pelo fato de ele ainda existir em minha avó  (mesmo que ele não esteja vivo): em seu cuidado com o outro, nesse sorriso aí..  na forma de olhar para cada um de nós, filhos, netos, gerados pelos dois em conjunto.

Está no tom da voz dela quando ela fala sobre a roça e sobre como era bom trabalhar com ele lá, mesmo com todas as dificuldades e rasteiras que a vida já pregou.

Entendi que o amor é assim: abstrato no discurso, mas muito mais tangível do que parece na prática. É transitar entre o compartilhar entre duas partes e o ser de forma unitária. É olhar para dentro de si e ao redor e enxergar o outro, transcendendo qualquer tipo de presença ou ausência física.

Dessa lição, vô (somada a todas as outras, inclusive a da história do sapo no céu), eu jamais vou esquecer. Obrigada. ❤

3/07/17