Me mudei para Bogotá faz um mês.

Bogotá é uma cidade bem maior que Belo Horizonte, com quase 5 milhões de habitantes a mais.

Bogotá, por enquanto, é também uma cidade bem grande na minha perspectiva pessoal: ainda não conheci muito daqui – nem lugares nem pessoas. Não tenho família aqui, a não ser um ou dois amigos que decidi chamar assim.

No último ano muita coisa mudou, e a mudança de país é um reflexo e uma representação simbólica (ainda que literal) disso.

Toda essa mudança e a intensidade dos últimos meses está me fazendo refletir sobre tudo, todo o tempo. (Por isso, tenha em mente que esse texto é sobre uma analogia cafona de dia a dia).

Pois bem. Ontem, caminhando de volta do trabalho para casa, consegui através de uma representação entender e explicar tudo que tenho pensado sobre mudanças.

O bairro que eu moro é bem residencial. Meu prédio é no fim da rua, e logo quando me mudei um mês atrás percebi que um outro prédio estava sendo construído ao lado do meu.

Uma característica que eu amo daqui de Bogotá é que os prédios têm essas janelas bem grandes, que mostram todo o interior da casa e iluminam todo o ambiente.

Vista do meu quarto

Esse prédio que está sendo construído tem janelas assim – e por esse motivo (além do fato todo mundo ter que atravessar a rua por conta dos resíduos que ficam na calçada) eu tenho reparado nesse prédio.

O que eu não havia reparado, até ontem, é que todos os dias desde que eu me mudei eu observo este prédio.

No início, tinham só as paredes erguidas. Cara de construção, não de prédio.

Depois, fizeram o acabamento. Depois, a cobertura. Depois, as instalações (eu não saberia dizer em que ordem necessariamente foi, não sei nada sobre construção).

Todos os dias eu reparava no prédio, mas não prestava atenção de fato porque ele não parecia tão diferente de um dia para outro.

Mas essa semana pintaram o edifício, e ele está finalmente começando a parecer não mais uma construção, mas uma casa.

E é assim que eu começo a resumir o que eu tenho pensado sobre as mudanças.

Nosso imediatismo faz com que a gente queira tudo pra amanhã, pra ontem se possível.

A visão obsessiva com o que ainda não é e que queremos que seja faz com que não reparemos na jornada, na construção.

Além de não reparar, essa ansiedade muitas vezes não nos permite nem mesmo perceber e principalmente absorver as pequenas mudanças.

Toda grande mudança é formada de outras pequenas. É formada das decisões tomadas no meio do caminho e das que não foram tomadas também.

Para conseguir consistência em qualquer fase da vida, é necessário ter paciência. É necessário entender qualquer progresso como um grande progresso – grande porque por mais que aparentemente ele seja minúsculo, ainda assim ele essencial para qualquer outra coisa acontecer.

Então, da próxima vez que bater a ansiedade em se tornar algo, conquistar algo, ou até mesmo bater o medo em passar pela mudança, lembra da analogia cafona, mas muito verdadeira, do prédio.

Pensa num prédio lindo, de janelas grandes ou do que quer que seja que faz você achar um prédio bonito.

Lembra que por trás da versão pronta e habitável que você vê, existiu uma época que era só o terreno. E que foi necessário muito tempo, esforço, atenção, dedicação e conhecimento para ergue-lo.

Trate sua vida como esse prédio. Afinal, todo mundo quer uma casa bonita e segura para morar. E para ela ser segura e bonita, é necessário consistência e paciência.