Quando conheci esse projeto lindo idealizado por mulheres lindas, quis muito contribuir. Mas ao começar a levantar possíveis temas logo me veio um pensamento: “eu não domino nenhum assunto, não vou conseguir escrever bem sobre nada”.

E essa ideia me acompanha o tempo todo, tanto na vida pessoal quanto profissional. Como o objetivo aqui é falar da vida real, resolvi tomar coragem e escrever sobre uma luta que eu enfrento todos os dias e nem sempre ganho: a síndrome do impostor.

Vou falar um pouco dos sintomas, de como é conviver com ela e do que fazer para enfrentá-la. Mas antes, preciso me apresentar né? Meu nome é Talita, tenho 25 anos, sou de Juiz de Fora e há 1 ano escolhi Belo Horizonte como meu lar. Já enfrentei dragões, vi arco-íris e estou buscando a minha estrada de tijolos amarelos.

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O que é a síndrome do impostor?

Acho que muitas pessoas podem se surpreender com o fato desse artigo ser escrito por mim, desde muito nova faço piada com tudo e isso acaba escondendo bem as minhas incertezas e angústias. Muita gente me acha super confiante, sem perceber que na verdade estou travando uma batalha interna.

Eu sempre convivi com a síndrome do impostor, mas só conheci essa nomenclatura no ano passado. Confesso que foi um pouco reconfortante saber que mais pessoas também passavam por isso, que não era só “coisa da minha cabeça”. 

A revista Galileu, define muito bem essa condição: Algumas das pessoas mais capazes, inteligentes e que trabalham mais duro sofrem de um fenômeno debilitador: uma distorção que faz com que elas pensem que são incompetentes, burras e preguiçosas. Além disso, elas pensam que estão “enganando” as pessoas quando conseguem alcançar seus objetivos e, um dia, serão descobertos e expostos à vergonha.”

Quando eu li que ela atinge pessoas muito inteligentes e capazes, fiquei na dúvida se esse era realmente um diagnóstico pra mim. Mas depois de um tempo e de algumas conversas com especialistas, vi que a carapuça dos sintomas servia perfeitamente em mim. Vou listar alguns comportamentos e se você se identificar (me dá um abraço) mantenha a calma, porque também vou falar de como podemos enfrentá-los.

Você sempre sente que precisa se esforçar demais

Se esforçar muito mais que as outras pessoas é fundamental para justificar suas conquistas, afinal você sabe menos que todo mundo. No trabalho, você não consegue ter um bom desempenho sem excessos e perfeccionismo.

Você é seu maior inimigo

Todos os dias você convive com a sensação que vai ser desmascarado há qualquer momento, vão descobrir que você é uma farsa e “a casa vai cair pro seu lado”.

Eu que saí do interior de Minas e vim trabalhar numa grande empresa, demorei quase 1 ano para colar os adesivos que ganhava, em meu computador. Sabe por que? Porque a qualquer hora eu seria demitida, achava melhor guardar os adesivos de lembrança.

O que vai acontecer se você rir disso:

Esse é um dos comportamentos mais “traiçoeiros”. Ele pode fazer com que você deixe de se esforçar, evite gastar energia para algo que você acredita que vai dar errado. E aí, realmente pode dar errado mesmo, porque você se auto-sabotou.

Você está sempre adiando as coisas

Por medo de ser criticado e avaliado em compromissos e tarefas, você acaba deixando seus compromissos e tarefas sempre para os últimos minutos.

Procrastinar é uma forma que você encontra para se poupar do fracasso, que na sua mente já está confirmado.

Você tem pânico de se expor

Se você já sabe que é uma fraude e que as pessoas vão te desmascarar, pra que dar a cara a tapa não é mesmo?

Para quem sofre da síndrome do impostor é muito comum fugir de momentos que levem a avaliações e críticas. Quando existe uma oportunidade de passar despercebido, ela será aproveitada.

Você não é todo mundo. Você é pior que todo mundo.

Uma pessoa com síndrome do impostor nunca se sente boa o suficiente em relação às outras, o que causa muita angústia e ansiedade. Se sentir inferior, se cobrar demais e ser muito perfeccionista são características fortes.

Quando você convive com pessoas muito fodas, como é o caso do meu ambiente de trabalho, é comum pensar: como eu vim para aqui? E como ainda não descobriram que eu sou uma farsa?
Mesmo quando você está em dia com suas metas e indicadores.

Você quer agradar a todo mundo

Na tentativa de conquistar aprovação de outras pessoas e se sentir melhor,você sempre procura causar boa impressão e se esforça no carisma, às vezes até de forma involuntária.

Convivendo todos os dias com essas angústias, nem preciso falar que a síndrome do impostor caminha lado a lado com a depressão e a ansiedade, né?

Como lidar com o impostor?

Eu adoraria escrever aqui o intertítulo: 10 dicas para eliminar de vez o impostor da sua vida. Mas por mais que eu faça muitas piadas com esse assunto, ainda não descobri como eliminá-lo, apenas aprendi a conviver melhor com ele e é isso que quero compartilhar:  

  1. Não compare o que tem dentro de você com o exterior do outro. Você não sabe os dragões que cada pessoa enfrenta internamente.
  2. Anote as coisas boas que as pessoas disseram sobre você. Não é pra sair pedindo depoimento para o seu Orkut, é só pra ter onde encontrar pontos positivos que você, na maioria das vezes, ignora.
  3. Você não é o melhor do mundo – e está tudo bem. Ninguém é perfeito e ninguém espera que você seja. Se você define padrões inatingíveis, vai sempre se sentir uma farsa.
  4. Mude a sua postura. Se você se sente uma fraude, seu corpo vai refletir toda essa incerteza. Eu sempre me pego curvada, tentando passar despercebida (como se fosse possível com 1,76 de altura). A gente precisa levantar o corpo, levantar os ombros e olhar nos olhos.
  5. Tente aceitar elogios. Quando alguém elogiar a sua “brusinha” não diga que ela custou 10 reais na bacia das almas, apenas agradeça. Se você aceita elogios, vai começar a acreditar neles.
  6. Compartilhe seus sentimentos. Essa tarefa é extremamente difícil pra mim, escrever esse artigo por exemplo, como diria Katia Cega:

Contar o que você sente para as pessoas te ajuda a enfrentar e ainda pode te mostrar que mais gente passa por isso.

  1. Encontre algo em que você é realmente bom. Todo mundo é muito bom em alguma coisa (menos eu). Brincadeira, há boatos que sou ótima para ouvir e divertir pessoas.
  2. Conte suas realizações. É difícil enxergar as nossas conquistas, mas quando isso acontecer, compartilhe com amigos e familiares. Não é implorar elogios, mas contar com a motivação de quem você realmente confia.
  3. Faça atividades que não tem nada a ver com o seu trabalho. Pratique um esporte, viaje, faça trabalho voluntário… assim você vai se cobrar menos e fazer as pazes com seu interior.
  4. Peça ajuda. Você não precisa e nem deve fazer tudo sozinho. Se você não sabe algo (matemática, no meu caso) coloque a boca no mundo e peça ajuda para resolver.
  5. Respire fundo. É normal falhar e você não precisa se desesperar. Pare um minuto, respire e aprenda algo com aquele erro.

Depois que eu apliquei essas ações no meu dia-a-dia, a convivência com esse velho amigo ficou mais leve. Quando ele insiste em me levar pra baixo, eu penso em tudo que enfrentei e conquistei até aqui (não vou entrar em detalhes, porque estou guardando para minha participação no arquivo confidencial do Faustão) e que se fosse uma farsa, já teria sido descoberta. Afinal, as pessoas que convivem comigo não são loucas e já teriam me impedido, não é mesmo?

Se esse artigo ajudar alguém a identificar e enfrentar a síndrome do impostor, um pouquinho que seja, já vou me sentir menos fraudulenta. E se você quiser compartilhar alguma dúvida ou experiência nos comentários, vou adorar. Mas por favor não me desmascare!!

 Talita Maria, 25 anos

Metade de mim é fome e a outra também.

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