Você tem dificuldade em se amar?

Muitas vezes, eu também.

Mas deixa eu voltar um pouco atrás e te fazer uma outra pergunta: você se CONHECE?

Essa pode parecer uma pergunta estúpida. Eu convivo comigo mesma o tempo inteiro – como posso não me conhecer?!? (Eu não sei você, mas eu particularmente frito quanto penso que sim, é possível que eu não me conheça, mesmo considerando esse fato). 

Eu ouvia muita gente falar sobre autoconhecimento, mas nunca me dei muito o trabalho de pensar sobre isso. Sempre pareceu óbvio demais pra mim, e do lado de fora sempre interpretei como conversa para a  galera vender mais livro de autoajuda e ter legenda para foto de Instagram.

Acontece que (pasme!): alguns meses atrás fui descobrir que não, eu não me conhecia (e não me conheço talvez, ainda que hoje beeem mais) tão bem assim.

Ainda assim, agora e mesmo antes (principalmente antes) eu me cobro amor próprio. Mas como amar alguém que eu não conheço de fato?

Saber a comida que eu mais gosto ou estar consciente das minhas ações não significa que eu me conheço.

Precisamos nos perguntar mais, nos descobrir… nos redescobrir!

É preciso conhecer o que de novo faz parte de nós e mais ainda (e mais difícil): não ter medo de deixar ir nossas antigas versões. Isso não significa que estamos perdendo nossa identidade ou “traindo” quem nós costumávamos ser.

Eeeenfim! Comecei uns exercícios no mês passado para pelo menos começar a me conhecer melhor e isso tem me ajudado demais a entender quem eu sou (ou estou – afinal de contas, talvez isso mude amanhã e precisarei me redescobrir).

Abaixo conto um pouquinho sobre esses exercícios. Espero que te ajude também!

(Vale deixar bem claro que esse é um processo que ME ajudou, mas que nem sempre a gente consegue todas as respostas que precisamos sozinhas. Obter certas respostas leva tempo e auto análise e algumas delas são profundas demais para chegar lá sozinha. Por isso, ver um psicólogo é tudibom!).

1. Listei o que me incomodou nos últimos tempos

Comecei fazendo uma lista de pontos que me fizeram mal nas últimas semanas ou meses. Isto é, todos os momentos que eu consegui lembrar que me deixaram triste, irritada ou com qualquer sensação que eu desaprovasse.

Levantei 17 pontos e uma parte que achei curiosa foi o fato de pensar duas vezes antes de escrever algumas questões. Ao escrever, parecia tão besta (e às vezes, feio), que eu tinha vergonha de colocar no papel. Tentava mentir dizendo que aquilo nem tinha me incomodado tanto ao ponto de estar ali.

Tive que repetir para mim mesma que apenas eu leria aquilo e que era um espaço seguro. Acreditem: só o fato de verbalizar essas coisas já me deu uma certa noção de o que era a nível de humor, o que se repetia com frequência, e por aí vai.

2.  Também listei o que me fez BEM nos últimos tempos

É engraçado como costumamos tentar entender os sentimentos ruins e analisá-los (talvez, para não sofrer), e deixamos de lado esse olhar de análise sobre os lados bons (eu pelo menos nunca tinha tido essa visão).

Sendo assim, também listei momentos/fatos que me fizeram bem nos últimos tempos e cheguei a 20 tópicos. O fato de serem mais momentos bons acumulados do que os ruins me fizeram até mesmo enxergar de forma mais justa a minha própria vida, já que na época em que comecei esse exercício eu estava reclamando bastante.

Percebi que ver o que nos faz bem também fala muito sobre quem somos. No meu caso, eu percebi que algumas das razões pelas quais eu me empolguei foram, na minha percepção, as “razões erradas” – meramente ego, por exemplo.

3. Explorei todos os pontos levantados

Após ter a minha lista completa, fui explorando os pontos que eu citei.

Em cima do fato, eu me fazia o primeiro por que. “Por que isso me incomodou?” / “Por que isso me fez tão bem?”

Note que algo que realmente faz parte da sua personalidade/essência/o que você quiser chamar provavelmente estará em vários “por quês” embaixo, e não na camada superficial.

Vale reforçar que não é fácil chegar à essas respostas. Em alguns pontos eu levei horas, ou até dias. Para outros confesso que ainda não cheguei a uma resposta (pode ser que alguns sejam apenas variação de humor, ou que sejam profundas demais para que eu entenda sozinha).

Sobre os que obtive respostas, nem sei se cheguei às mais profundas. Mas cheguei a camadas que já me fizeram entender muito de mim mesma e por isso valeu muito a pena.

Ainda assim, em muitos casos existem camadas profundas demais e chegar até lá é dolorido e pode nem mesmo ser saudável. Reforçando novamente, ver um psicólogo pode ajudar pra caramba!

Exercício 2: como manter um diário (sim, um diário!) me ajuda

Você já leu ou ouviu alguém dizer que escreve diários até hoje e que isso ajuda pra caramba?

Se sim, provavelmente assim como eu você já virou o olho para isso em algum momento.

Se não, eu vou ser a primeira pessoa a te falar. Yes! Hehe.

Eu sempre gostei muito de escrever e quando mais nova exercitava bastante isso, como forma de ventilar os sentimentos e deixar sair o que eu precisava falar.

Por muito tempo deixei esse hábito de lado e não notava a falta que me fazia até eu voltar a tê-lo, alguns meses atrás.

Não me cobro escrever todos os dias e necessariamente contar os fatos do meu dia (talvez isso faça com que ele não seja necessariamente um diário? #confusar).

Mas sempre que minhas emoções estão um pouco mais afloradas (sejam elas mais positivas ou menos), eu pego esse caderninho que eu tenho e começo a escrever.

Minha “técnica de escrita” hoje é simples: eu apenas me permito escrever.

Isso quer dizer que eu abro meu caderno e deixo as palavras saírem. Levou um tempo até eu permitir que assim fosse, porque a vergonha de falar algumas coisas “em voz alta” é grande e eu acabava omitindo coisa demais – ou tentando romantizar/poetizar além da conta.

Hoje em dia eu permito que meu coração fale, e por mais tosco que essa frase soe, eu juro que isso acontece, e acontece porque eu me permito escrever o que quer que eu esteja sentindo. Mesmo que meu auto julgamento no momento tente me parar.

Após escrever tudo que eu tenho vontade, me dou um tempinho. No mesmo dia, ou no dia seguinte, às vezes alguns bons dias ou meses depois, eu volto naquele texto. Eu leio, como uma pessoa de fora. E dali eu consigo colocar as coisas em perspectiva (e entender que elas muitas vezes são menores ou maiores que eu pensei), e enxergar uma camada de mim que talvez antes eu não conseguisse enxergar.

Por fim…

Bom, por enquanto é isso! É claro que eu não espero me conhecer, ou que você se conheça, apenas com esses exercícios (ou que substitua a necessidade de um profissional que ajude a entrar mais a fundo em qualquer questão necessária). Mais uma vez reforço que o autoconhecimento é um processo que leva a vida inteira, pensando que estamos sempre nos reinventando.

Também não quer dizer que para tudo, tudinho que façamos precisemos nos questionar em um nível profundo (Deus me livre! Hehe).

Mas se questione hoje: você se conhece/se preocupa em se conhecer? Talvez esse seja o primeiro passo para você atingir o seu máximo em sua relação com você mesma e com o mundo! <3

P.S: falando em amor próprio e autoconhecimento, assistam a esse vídeo sensacional da Jout Jout: “Tá, mas como fazer isso de se amar?”! 

Fê Rodrigues

Mineira. Sempre animada para a próxima refeição. Quando não estou falando sobre música e Kendrick Lamar, gosto de escrever sobre momentos e sentimentos.