Esse foi um ano muito intenso para minha carreira. Fui promovida na empresa que trabalhava, dei consultoria de marketing para algumas das maiores empresas do Brasil e agora estou mudando de empresa (e também de país)!

E no que diz respeito a carreira de forma geral, posso dizer que nunca estive tão em dúvida em relação ao ela. Ao mesmo tempo, nunca me senti tão tranquila (oi?).

A questão é que sempre tive certeza de que gostaria de trabalhar em um mercado específico.

Mas meus projetos pessoais deste ano (esse blog e o ysbetter) estão me fazendo conhecer lados meus que eu não conhecia tão bem, o que coloca em questão toda aquela certeza que eu costumava ter.

Se redescobrir é uma loucura, e deixar ir (ou deixar guardada) versões antigas nossas é mais difícil do que descobrir as novas.

Isso tudo é papo para outro post, mas um dos lados que estou conhecendo com o ysbetter é o da arte, o que me tem feito acompanhar o trabalho de alguns artistas mais de perto.

Assim caí no livro do Austin Kleon, “Mostre seu trabalho.

Inicialmente pensei que o livro trataria do início ao fim sobre técnicas para mostrar o seu trabalho como artista, mas ele traz dicas que provocam reflexões que se estendem para a carreira como um todo (até para a gente que não trabalha com arte).

Muitas dessas passagens foram marcantes para mim e me ensinaram muito, por isso, gostaria de compartilhar com vocês! 🙂

1. A importância de ser um amador

Tenho a sensação de que o tempo todo precisamos aprender para deixar de sermos amadores.

Trabalhamos para sermos especialistas, para um nível de performance que faça os erros serem inadmissíveis.

A ideia de que a imperfeição é inadmissível faz com que tenhamos medo de tentar, de arriscar.

Em seu livro, o Austion Kleon diz:

“Seja um amador. Um amador tem pouco a perder. Na mente do novato, existem muitas possibilidades porque eles não se preocupam só com o perfeito. Eles não têm medo dos erros ou de parecerem ridículos em público.”

Não estou dizendo que precisamos abrir mão da excelência técnica. Mas o pensamento de amador age ao nosso favor porque perdemos o medo de errar (e isso, no final, nos ajuda a acertar).

2. O truque de colocar o foco no processo

Em qualquer trabalho que façamos ou o que quer que desejemos, estamos pensando no resultado final.

“Quero passar no processo seletivo X. Quero atingir o objetivo Y com esse projeto. Preciso vender Z reais no mês para bater minha meta.”

Claro que precisamos ter sempre o resultado final em mente, afinal é por esse ponto final que criamos os processos.

Ainda assim, tá aí um segundo ponto em que nos sabotamos – ao focar demais no resultado final, às vezes nos esquecemos de focar no processo.

O resultado final não está no nosso controle. Diversos fatores externos podem contribuir para que ele não aconteça como esperamos.

O processo é o que mais se aproxima do nosso controle.

Se eu foco no meio do caminho – no que eu estou fazendo, tenho mais chances de fazer um trabalho excepcional, de aprender e de quem sabe conseguir o resultado final.

3. Nós não somos a nossa carreira

Em outro post, falei sobre a necessidade que temos de ser alguém e como essa definição está ligada à nossa carreira.

Lá aprofundo o que penso a respeito disso, mas de forma resumida: com o dinamismo do mundo hoje,  com a acensão dos modelos de plataforma e o fácil acesso a informação, temos um mundo de possibilidades daquilo que podemos fazer (e consequentemente, ser. Ou nesse caso, não somos necessariamente nada, mas muita coisa ao mesmo tempo. Confuso?).

Sem contar que, inevitavelmente, no caminho de “ser” alguma coisa, nos tornamos muitas outras coisas também.

Penso mais que hoje em dia “estou uma analista de marketing” do que “sou” uma analista de marketing, por exemplo.

4. “A compulsão por evitar o constrangimento é uma forma de suicídio”

Evitar constrangimento deve ser da natureza humana, né?!

Se eu agisse apenas pela minha vontade, jamais me colocaria em situações constrangedoras (acho que ninguém, na verdade, rs). 

Reconheço ser uma pessoa que gosta da zona de conforto e, justamente por isso, eu tento quebrá-la o tempo todo e me colocar nessas situações de vulnerabilidade.

Faço isso porque sei que são essas situações que nos fazem conhecer o novo.  Nos fazem conhecer o outro. Nos fazem conhecer nós mesmos. Nos fazem não viver com a expressão “e se”.

É o fazer uma pergunta que é aparentemente boba; o chamar uma pessoa “importante” para conversar; o pedir para apresentar um projeto para um líder e por aí vai, que nos levam ao próximo nível.

Esse próximo nível, por sua vez, muitas vezes pode ser mais simples (simples, não fácil!) do que parece. E só o fato de nos colocar em situações vulneráveis já podem nos ajudar a chegar lá.

Evitar o constrangimento está muito ligado ao que falei lá em cima de sentirmos que nunca podemos ser amadores, e é uma das maiores formas de nos sabotar.  

5. Por último, mas não menos importante: a comparação nos atrasa

O Austin não fala sobre isso no livro dele, mas é um ponto que gostaria de adicionar aqui.

Me faltam palavras para expressar tudo o que eu já pensei nessa vida sobre comparação.

Essa é uma das coisas que mais me perseguem, que eu luto contra e que eu detesto na vida.

Nunca conheci nenhuma pessoa que nasceu 100% livre de comparações. Quem dirá nós, mulheres, que somos ensinadas desde pequenas a nos comparar.

A comparação me irrita tanto porque racionalmente sei que ela não faz sentido nenhum.

Comparar é partir do pressuposto de que todas as pessoas são iguais. Que têm uma mesma história, mesmas oportunidades, mesma família, mesmos sentimentos, mesmos valores, mesma forma de pensar, de operar… mesmo TUDO.

Ou seja: é IMPOSSÍVEL se comparar com alguém de forma justa.

Mas ainda assim, o fazemos.

Vemos uma pessoa com menos tempo de carreira ser promovida: por que eu ainda não fui? Isso é injusto.

Vemos uma pessoa de 24 anos fazendo um sucesso bizarro e mundial: eu já tenho 26, tô perdida na vida.

… e só nessa já nos consideramos incapazes e focamos toda a nossa energia no outro, em vez de em nós mesmos.

A comparação só é boa quando nos faz acordar e nos tira de um estado em que estamos acomodados demais.

Fora isso, precisamos focar mais no nosso – em nossas condições, nossos valores, nossos objetivos, nosso tudo.

É isso, gente!

Espero que esses aprendizados ajudem vocês em suas carreiras também.

O que você aprendeu esse ano sobre carreira? Compartilha comigo nos comentários! =)

Fê Rodrigues

Mineira. Sempre animada para a próxima refeição. Quando não estou falando sobre música e Kendrick Lamar, gosto de escrever sobre momentos e sentimentos.